Durante quase todos esses anos, a data sempre ficou martelando na minha cabeça.
Dia 05/10/2025, meia noite, na frente da prefeitura.
Todo reveillón, todo ano que passava. Todos os novos amigos que entravam na minha vida, falando: é verdade né, tem aquela data sua, e eu falava: sim, estarei lá. Todo mundo: nossa que legal vcs lembrarem.
Com uns três meses de antecedência, comecei a mover os pauzinhos pra encontrar todo mundo, mais ou menos assim:
A Ieda, tenho no instagram, super acessível, sempre.
A Gigi, também no instagram, um pouco mais afastada mas dá pra arriscar uma mensagem.
A Lídia: ótima pergunta, mas eu quase sempre trombo com o pai, mãe e irmão no restaurante vegetariano, então dá pra achar.
O Fernando: eu trabalho numa sala ao lado do irmão, o Caio, então é só falar com o Caio e vai dar certo.
O Lucas, eu não fazia ideia.
O Chu: meu último plano maluco era conseguir o contato do Jair, pai dele, e pedir o contato, mas duvido.
E foi assim que, quando estava faltando uma semana pro encontro, eu esqueci de dar continuidade a esses planos todos e ficou tudo uma correria só.
Consegui falar com quem dava pra falar, e na verdade, não deu muito certo (se pelo menos eu tivesse avisado antes, né).
A Ieda abriu o coração e me contou das impossibilidades de saúde, mas queria muito participar, nem que fosse online. Prometi que ia tentar.
Nada tentei. Não tenho desculpa melhor pra desânimo e desorganização. Achei que só eu tinha lembrado, e que mais ninguém ia poder comparecer.
Basicamente eu não consegui falar com a Lídia, o Chu, e o Fernando. Justamente os que estavam lembrando, e foram.
E nunca passou pela minha cabeça que a Grove estendida iria lembrar, nunca mesmo. Que loucura.
Meses depois, amigos em comum com o Lucas me contaram que foram em um casamento juntos, e que o Lucas lembrou de mim e do nosso blog. O Volta pro mar, tartaruga. Fazia quanto tempo que eu não ouvia esse nome? 10 anos? Mais?
Se ao menos eu tivesse lembrado, um Google e eu estaria aqui, participando dos comentários ou pelo menos lembrando todo mundo que sim, eu iria, eu me importaria também.
Devia ter ido, teimosa que fui, e não fui também.
Não resolveu nada lamentar por isso.
Mas as fotos e todos os outros registros daqui aqueceram o coração.





