segunda-feira, 30 de abril de 2018

olha só se eu não voltei
sei lá porquê
não, mentira, eu sei
voltei porque eu não aguento mais conviver
eu aceito lidar com pessoas em momentos determinados
mas não quero lidar com pessoas o tempo todo
fujo de relacionamentos
fujo de qualquer relação interpessoal
porque as pessoas me cansam
me fascinam, mas me cansam
gosto de observar pessoas à distância, onde posso parar de observá-las quando me convém
de novo: um egocêntrico maluco (achei que escroto não era uma boa descrição)
mas maluco, maníaco

silêncio reflexivo
daqueles em que só olhamos baixo para a parede e deixamos a mente nos mutilar com verdades que não queremos enxergar

bebo tanto que não sinto os efeitos físicos do álcool, só os psicológicos
por conta disso, bebo cada vez mais
por falta de dinheiro, bebo cada vez pior

não consigo dormir a noite
deito na cama e rolo a noite toda
só durmo com o Sol nascendo
porque me sinto rodeado de fantasmas e preocupações
coisas que me atormentam e só vão embora quando estou exausto ao amanhecer

a única coisa que me afasta de uma overdose de heroína é o preço dela
(drama on)

falo pra vocês, mas acho fora de lugar. deveria ir no twitter
mas no twitter, às vezes atraio atenção de pessoas que vão se preocupar
e eu não sei se vcs se preocupão
mas pensar que se preocupam incomoda
porque eu só queria digitar e esquecer
apagar
mas nem apago, nem esqueço
porque sou um doente maluco
esquizofrênico
maníaco
psicótico
depressivo
ansioso
inconsequente
irresponsável

ok, chega

terça-feira, 10 de abril de 2018

eu vim no blog falar mais coisas da minha vida, que eu não queria colocar nos meus lugares virtuais
engraçado pensar que eu entrei no blog querendo dividir, mas agora venho pra cá quando preciso gritar pra mim mesmo
eu poderia fazer isso no twitter, mas sempre que tenho uma crise lá eu fico com a impressão que só parece que eu quero chamar atenção... e não é o caso
eu só preciso dizer, mesmo... colocar algumas coisas em palavras pra não me afogar nos meus sentimentos
ou eu só queria um abraço, eu não sei
não devo me deixar levar por meus sentimentos, porque o mundo gira e eu preciso estar presente
mas eu sempre fui intenso demais, sempre muito ligado aos sentimentos mais do que ao mundo real
são tantas dúvidas, tantos conflitos
todos a minha volta parecem estranhos e eu não tenho vontade de me abrir a ninguém
já se sentiu alguém muito especial?
alguém que é puro demais, alguém que é só coisas boas?
mas incapaz de fazer algo por si próprio
sempre as voltas com os problemas alheios, com questões alheias
quando olha pra si, falha
o tempo passa e eu só me sinto um egocêntrico escroto
eu fugi desse blog porque não conseguia me resolver com o que eu sentia
agora eu volto pelo mesmo motivo
talvez o blog tenha sido o primeiro momento em que tive que lidar com a ausência das pessoas com quem eu me permitia ser
aí, agora, me permito ser a um grupo de pessoas, mas com n ressalvas porque não quero depender de ninguém
vivo um desejo de autonomia emocional
me afasto das pessoas e me isolo num ambiente seguro
e vcs são seguros porque são quase como fantasmas
não sabem da minha vida, só sabem que eu existo. vcs são pessoas a quem eu posso falar sem me expor
e eu sou um egocêntrico escroto, perdão por ser assim
eu queria dizer algo fofo
mas eu não sei mais o que era
talvez porque eu esteja bêbado, ou sei lá
egocentrismo a parte, eu vim no blog porque queria contar algo a vocês
eu me formei em Artes Visuais. grande merda... mais uma conquista que não vai pra lugar nenhum

quarta-feira, 21 de março de 2018

Embalos de uma quarta a noite



I walked across an empty land
I knew the pathway like the back of my hand
I felt the earth beneath my feet
Sat by the river, and it made me complete
Oh, simple thing, where have you gone?
I'm getting old, and I need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired, and I need somewhere to begin
I came across a fallen tree
I felt the branches of it looking at me
Is this the place we used to love?
Is this the place that I've been dreaming of?
Oh, simple thing, where have you gone?
I'm getting old, and I need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired, and I need somewhere to begin
And if you have a minute, why don't we go
Talk about it somewhere only we know?
This could be the end of everything
So why don't we go
Somewhere only we know?
Oh, simple thing, where have you gone?
I'm getting old, and I need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired, and I need somewhere to begin
And if you have a minute, why don't we go
Talk about it somewhere only we know?
This could be the end of everything
So why don't we go?
So why don't we go?
This could be the end of everything
So why don't we go
Somewhere only we know
Somewhere only we know
Somewhere only we know?
Queria dizer que continuo estranha, continuo vegetariana, continuo gostando de janelas abertas - menos a noite, porque não sei lidar com baratas, ainda.
Em 2013, seis meses depois de terminar com o Lean, conheci o Tiago. Ele me deu uma carona aleatória quando eu estava indo pra Unesp, entrei no carro porque achei que o conhecia, mas não conhecia. A Ariadne apertou o enter e eu acabei mandando uma cantada pra ele numa daquelas páginas de Facebook (mais alguém aí conhece spotteds da vida?). Ele respondeu, eu o adicionei e comecei nossa conversa com "Oi, tudo bem? Sou a louca do spotted". Estamos juntos desde então.
Entre 2014 e 2015 morei na Inglaterra, estudei, viajei, fiz amigos de outros países, entrei em depressão e comecei a fazer terapia. Foi o melhor pior ano da minha vida até hoje.
Em 2016 me formei em design de produto e decidi me dar a chance de fazer design gráfico, o amor verdadeiro que não tive coragem de cursar antes porque achava que não era boa o bastante.
Vim aqui hoje porque estou começando meu segundo TCC, um curta sobre um cogumelo que ganha vida e sai andando pela floresta. Precisava de inspiração e resolvi buscar meus textos antigos, relembrar aquela pessoa que escrevia contos e crônicas com facilidade [saudades]. 
Quando vi as postagens mais recentes, essa música, que sempre tinha embalado meus antigos sonhos de voltar com o Lean, de repente começou a me falar sobre raízes. Não dá pra crescer sem raízes. Não dá pra crescer sem olhar pro passado, sem lembrar de vez em quando de onde viemos, quais eram nossos antigos sonhos, nossos antigos amigos. Acho que é por isso que pedi pra Ari me convidar pra colaborar com o blog de novo (tinha perdido o acesso com todas as mudanças). Quero manter esse pedaço de história com todo o carinho e cuidado que ele merece.
É muito fofo que onze anos depois esse espaço ainda exista. E é muito fofo ver que, mesmo silenciosamente, nós continuamos a voltar pra visitar nossas antigas versões.
O afeto continua. Nunca se esqueçam disso.

Sobre Dez Anos

Eu vi que esse blog começou a existir em 2007. Em 2007 nós estávamos no Interação, vcs queriam fazer um jornal da escola e eu jurava que ia ser jornalista.


A Lídia que me fez relembrar a existência desse blog, mas mesmo walking down the memory lane, resisti fortemente ao impulso de procurar meus textos antigos. É bem difícil relacionar a Ariadne de hoje com a Ariadne que eu fui onze anos atrás.

Acho que todos entramos na idade da nostalgia, e creio que também é normal. As pressões da vida adulta estão aumentando. Eu estou prestes a me formar (amém senhor que ano que vem o diploma sai), tentando me firmar na minha carreira (e já pensando em ser diretora, dona de escola, trabalhar na Avenue...) e no namoro mais sério que eu já tive na minha vida. A maioria aqui já está formada, sei que tem gente já casada e com filho, a maioria já saiu da casa dos pais ou está querendo sair de vez, quer levantar as asas e pagar as próprias contas (bom, querer ninguém quer, mas tem horas que o relógio apita que a hora está chegando e é difícil ignorar).

Nessas horas é que a gente olha pra trás. Olha pros amigos que ficaram pelo caminho, pras pessoas que nós gostaríamos de reencontrar, pra todo mundo que passou a tarde no msn com a gente quando o nosso único medo era o Joãozinho assoviando no corredor.
Eu não tenho mais o mesmo ímpeto e a força de meter o louco que eu tinha em 2014 quando fui trabalhar na Turquia, eu confesso que 2018 tem sido mesmo o ano de agrupar lembranças e tentar juntar as que me tornaram quem eu sou hoje.

E é por isso que eu resolvi escrever aqui. Todo mundo que está aqui (em maior ou menor escala), me ajudou a ser quem eu sou hoje. Vocês estiveram em uma das fases mais importantes da minha vida. Não sei se vocês já assistiram Conta Comigo (ou leram o conto do Stephen King), mas em determinado momento o narrador diz que você nunca terá amigos como teve aos 11 anos. Eu expandiria, porque aos 11 eu não tive amigos, mas entre os 13 e os 16... Ah não, nenhuma amizade conseguiu ser igual. Crescer junto é fantástico, e eu só posso ser grata por ainda ter a Lídia no meu whatsapp e conseguir ver como nós mudamos, como nós amadurecemos e como nós estamos prontas.

Agora que eu já andei pela memória e mergulhei na nostalgia (e que puta frase brega, senhor), eu queria agradecer quem ler por aqui. Quem de certa forma contribuiu para os caminhos que eu tomei, vocês todos que estiveram presentes nos anos que ajudaram a definir quem eu sou hoje, onde eu estou hoje. E obrigada ao Chala por ter revivido isso aqui (e ter feito com que eu revivesse enquanto lia), eu realmente sinto a sua falta :)

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Não sei

Oi vocês.

Tem teia de aranha aqui, né? Nossa, que coisa... dá um aperto esquisito vir aqui, mesmo eu nunca tendo sido tão próximo da maioria de vcs.

É isso mesmo, eu vou falar de todos os lugares comuns. Queria dizer algo pra vcs que não vejo mais, principalmente com quem eu convivi um pouco mais, como a Ari e a Lídia (olá se estiverem aí, gosto das memórias que tenho com vcs), e só vem um turbilhão absurdo de clichês. Hehe.

A vida arrasta violentamente a gente pra longe de si. Nostalgia é um dos sentimentos mais duros e apertados que tem.

Como será que vcs estão? Quem será que vcs são? Quem está aí me lendo? Tem alguém aí? Hahaha. To rindo, mas é de nervouser.

Responder às postagens dos outros aqui é difícil. Me sinto forçando a barra por alguma razão qualquer.

Sempre gostei bastante de vcs todos, quieto lá no meu canto hahaha, bota quieto nisso!
Sempre achei um máximo o jeitão da dinâmica de vcs, a dinâmica dessa amizade que vcs felizmente tiveram, e que eu pude meio presenciar meio participar.

Dedico a vcs esse texto sem pé nem cabeça. Uma coisa que suspeito que vcs preservaram é a disposição para falar e ouvir sinceridades abstratas e algo socialmente inviáveis. Pois bem, cá estou. E vcs, ah, eu agradeço o esbarrão que nos demos na adolescência, foi bem gostoso e divertido. Baixando minhas defesas, eu digo: sou grato.




sexta-feira, 24 de novembro de 2017

sobre crescer, eu acho

sempre mil coisas que eu queria dizer
mas eu fico mudo quando tento
viver é tão complexo que não pode ser expresso
como o monstro de Lovecraft
é terrível de tão incompreensível
e leva à loucura

mas as coisas são observáveis em pequenas partes
se quebrar o todo e analisar os pedacinhos
é o que a Ciência faz com o universo
é o que a Humanidade faz para tentar compreender

ok, até aí estamos juntos, certo?
algumas pequenas partes são mais fáceis de compreender
e outras são mais difíceis
não por serem complexas, na verdade são bem simples
o tipo de coisa para o que você tem uma resposta pronta
na ponta da língua

essas coisas difíceis se embrenham em outras coisas
observando as partes separadas, você desenvolve conceitos
em cima dos conceitos, você desenvolve moralidades
isso é normal

mas então, essas coisas difíceis
elas se entrelaçam com coisas que você já estabeleceu
mas esse entrelace te coloca em contradição
porque você tem uma resposta bem prática pra essa coisa
apenas sim ou não
mas esse sim ou não vai (in)validar as coisas com que se relaciona
e aí, você tenta juntar as partes
percebe que criou um monstro novo
compreensível, mas ilógico por tudo que você aprendeu antes

aí, meus amigos, você tem duas saídas (ao menos)
ignorar o fato de que criou um monstro e fingir que está tudo bem
ou dividir o todo, de novo, e tentar solucionar as partes
a gente sabe que ignorar o problema não resolve
então, porque não só jogar fora a parte conflituosa?

estava tudo tão bem estabelecido
uma coisa idiota como um "sim ou não" estragou tudo
porque não apenas jogar fora esse conflito?
e aí, você pode perceber
algumas coisas serão mais fáceis de descartar que outras
depende do seu apego a essa coisa
e de quanto você está disposte a descartá-la

falar é fácil
fazer também
e apesar de ser fácil
eu estou sofrendo há meses com isso
sem nenhuma perspectiva de acabar o sofrimento
porque eu realmente não sei o que fazer

ou melhor
eu sei
mas e daí que eu sei?

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como nota pós textual, eu preciso deixar um desabafo aqui
é uma coisa que está me sufocando e que eu não tenho controle sobre, mas estou muito envolvido
e é sobre alguém que eu gosto muito, então peço desculpas a essa pessoa por estar desabafando
mas realmente cheguei num ponto que não posso deixar isso sufocado no peito

bom, tem essa pessoa, né? essa pessoa tem um relacionamento tóxico
essa pessoa sabe sobre seu relacionamento ser tóxico
mas o maior problema com relacionamentos tóxicos é que as pessoas envolvidas se embaralham com os seus sentimentos e apesar de todas as dores da relação, se trancam nessa bolha que ainda lhes é mais segura do que estar fora dela

eu mesmo, só pude deixar um relacionamento infeliz quando percebi que sair da bolha só me traria benefícios
encarei um relacionamento destrutivo por três anos porque era mais confortável estar nele do que me arriscar fora dele.

voltando a aquela pessoa:
hoje, estamos num ponto em que eu não consigo lidar com tudo isso
eu observo essa pessoa sofrer, ajudo a curto prazo e volto ao meu lugar, observando essa pessoa sofrer
claro que o sofrimento faz parte da vida, eu não sou retardado
mas alguns sofreres (principalmente os que vêm e vão rotineiramente) são evitáveis
e são evitáveis, porque se deve aprender com eles e impedi-los de acontecer de novo

você chora quando cai tentando dar seus primeiros passos. cair incomoda, dói
mas eventualmente você domina o ato de andar e não cai mais (ou cai muito menos)
quando cai de novo, depois de aprender a andar, você sabe que tá tudo bem, faz parte, e você continua andando

se você insiste no erro e tudo continua acontecendo num looping
você não aprendeu alguma coisa e está se submetendo ao erro por medo de não repetir o ciclo
temendo que se o ciclo for quebrado algo muito absurdo aconteça
e essa é a maior dificuldade de sair da zona de conforto
entender que tá tudo bem e perder o controle da situação faz parte de seguir em frente

o Stu faz pudim de chocolate às quatro da manhã porque perdeu o controle da vida dele e tá tudo bem

a vida continua e depois de algum tempo até é possível olhar o descontrole e rir
mas você tem que se permitir perder o controle

eu acho que segui uma linha de raciocínio meio obscura aí, mas é um desabafo, então pode

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Escrevi ouvindo o álbum A Dream In Static, de Earthside

terça-feira, 25 de julho de 2017

a Marixah não é a única

eu passo muito por aqui, mas eu permaneço em silêncio. só observo, como normalmente faço na vida.
eu tive que amadurecer alguns sentimentos antes de poder voltar a entrar nesse blog sem me sentir angustiado.
e a verdade é que se eu encontrasse qualquer de vocês pessoalmente, eu ia sofrer de uma agonia cabulosa e inexplicável.
mas sei lá, a vida é loka.
se eu não estiver no nosso encontro, provavelmente eu morri, mas o plano é estar

ps: sonhei com o Lhamo e o Fernando uns dois dias atrás. a gente estava numa casa (suponho), num sofá, falando várias bobagens sobre a vida e tal. até parecia que tínhamos voltado no tempo.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Contagem regressiva

Uau, que coisa incrível encontrar esse blog aberto, e mais incrível ainda, que eu tenha acesso e possa fazer uma postagem aqui.
Mais incrível ainda encontrar uma postagem da Priza de 2015, que provavelmente ninguém tenha entrado para ler ainda, exceto eu, em horário de almoço, com nada pra fazer, que resolvi dar um Google em mim mesma para descobrir se algo vergonhoso aparecia.

Ao invés de algo vergonhoso, encontro esse blog, que foi um presente pra mim por me relembrar da nossa amizade de tantos anos.
Nessas horas agradeço à tecnologia por eternizar nossos momentos e nossos pensamentos em "textos malucos" e sinto um orgulho misturado com saudade por saber que não dividimos mais 1/3 dos nossos dias.

Ontem conversei com a Ieda pelo Facebook, que hoje é uma enfermeira e faz duas pós graduações ao mesmo tempo (quem diria?); e agora mora em São Paulo.
E eu ainda posso colocar um terninho rosa e salvar crianças na África. Hoje sou oficialmente advogada de um escritório de advocacia em Marília; mas quem sabe?

Não sei se vocês se lembram, mas a gente tem um pacto para daqui 8 anos e alguns meses, do qual eu nunca vou me esquecer porque uso como senha nos meus emails.

Resolvi deixar um lembrete a todos em forma de contagem regressiva.



Aguardando nosso abraço no dia 05/10/2025, às 00h00, na frente de onde quer que seja a Prefeitura de Marília no futuro.

sábado, 8 de agosto de 2015

Cadê? Saudade!

Alguém ainda aqui?

Estou à toa. Tudo saudade, tudo saudar e lembrar.

Um beijo

Daquela.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Nus?

A ideia desse texto era a de um strip ao contrário. Não consegui o efeito desejado e provavelmente vou republicar, vai ter uma notinha depois explicando o que eu espero atingir.

Levantou às 3 da manhã. Saiu da cama, acendeu as luzes e disse:

- Marcelo, estou indo.

Já tinha vestido as meias e procurava a calcinha quando ele, assustado, puxou o lençol e sentou na cama:

- Aconteceu alguma coisa?

- Você diz só agora ou sempre que eu estou com você? - terminou de vestir a calcinha - Aconteceu o de sempre, eu estou cansada de aguentar sempre a mesma merda vinda de você. - subia o zíper da calça.

- Do que nós estamos falando? - subiu mais um pouco o lençol.

- Você dorme abraçado comigo mas é com ela que você sonha. - achou o sutiã enrolado na camiseta dele e já começava a vesti-lo - eu existo, Marcelo! Eu estou aqui, eu sou de verdade. - puxou o lençol e encontrou sua camiseta debaixo dos joelhos dele, vestiu e se sentou na ponta da cama para calçar os tênis - Você sabe onde ela está agora? Eu sei onde não está. Aqui. Nunca esteve. - calçou o pé direito - Você tem medo, Marcelo. Você tem medo de mim. Eu existo, eu sou de verdade e isso assuta. - pé esquerdo - Eu estou aqui gritando e quando você voltar a dormir vai sonhar com ela, e ela vai ser perfeita como sempre foi, longe de você, de dentro da caverna. - levantou-se e vestiu a jaqueta - Você é incapaz de lidar com toda essa merda que as pessoas carregam quando estão juntas e eu não quero mais entrar nesse barco furado que eu tento impedir de afundar sozinha - já na porta olhou pra ele com desprezo - se cuida.

A notinha de depois do texto:

A intenção do strip ao contrário era mostrar ela vestida, armada e ele nu com tudo que ela percebeu. Apesar de literal, era pra isso ficar figurado também. Não deu. Mas tá aí :) faz tanto tempo que eu não escrevo que eu quis compartilhar ^^.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Um aninho!



Ele chegou assim. E me ganhou no ato.

Eu não sei direito quando o John nasceu, gato de ong é assim, eles vem só com uma história triste e uma idade aproximada. A história dele é igual a de um monte de outros gatinhos por aí, a gata de alguém teve gatinhos, a pessoa não quis e jogou fora, encontraram ele e a irmã dentro de um saco, resgataram e colocaram no site, prontos pra adoção.

Só quem viveu comigo o final de 2012 e começo de 2013 sabe como eu estava emocionalmente devastada. Entre uma auto estima que eu começava a reconstruir e todas as mudanças que me via obrigada a enfrentar, mudei de apartamento e decidi adotar um gato. O dono do meu apartamento cuidava de uma ong. O John estava lá.

Era dia 28 de fevereiro, um dia depois do meu aniversário e nós fomos assinar meu contrato (já levando a caixinha de transporte, o dono do apê tinha muitos gatos prontos pra adoção e iria me confiar um), enquanto meu pai cuidava da coisa chata, eu me sentei no chão e comecei a brincar com os gatinhos, entre um e outro que se aproximavam, o John veio com sua delicadeza característica (sempre) e subiu no meu ombro, coloquei ele no chão e levantei pra ver outros gatos um pouco depois ele, insistente (sempre), escalou minha calça (deus abençoe que eu estava de jeans nesse dia), minha camiseta e voltou pro meu ombro de onde, como vocês já devem saber, eu não deixei que saísse nunca mais.

Pouca gente entende eu achar tão importante o primeiro ano de um animal. Pouca gente também seria capaz de entender o relacionamento que eu desenvolvi com o John. Menos pessoas ainda entenderiam a gratidão que eu tenho para com ele. Os primeiros três meses dele foram no meu colo, os primeiros três meses dele foram me fazendo levantar, os primeiros três meses que ele passou em casa, foram dele me ensinando que eu podia ser de novo, que eu estava pronta. Foi uma ligação tão intensa que se formou, que eu não imagino mais minha vida em São Paulo sem o John por perto.


Esse mês (ou começo do mês que vem, não dá pra saber ao certo) meu neném faz um aninho. Eu não vou comprar mais a ração de bebê e logo (espero que não tão logo assim), ele vai deixar de ser demoninho pra ser um gato gordo e dorminhoco, mas o amor que nós temos... Ah, o amor que nós temos... Esse dura muitos aniversários ainda. :)

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Carta ao Leitor

Leitor,
Eu quero dizer que entre outras, que algo está acontecendo o tempo todo no mundo e uma pessoa comum, como eu, escreve um texto para esclarecer o subconsciente coletivo das pessoas, que por mais negócio ilícitos entre a India e o Casaquistão, continuamos fora da zona de influência do Euro.
Bom, a minha vida tem estado entre a cruz e a espada, e as vezes, monótona e chata. Eu divido bem o meu tempo entre ser um ser aparentemente normal, o que é extremamente desgastante, o que só pode ser bem realizado, a base de morfina e outros opióides endógenos, e estar despertando para uma realidade maior, que é a minha própria vida, que após um longo período de coma profundo, me parece que resolveu abrir os olhos lentamente. Eu disse lentamente, não corra gritar para as paredes, que eu despertei e estou andando com as próprias pernas. Eu sei que você me ama desesperadamente e quer as coisas rápidas, mas a vida não é assim.
O sol me parece voltou a brilhar como brilhava, começo a gostar de ser o que eu era e tinha me esquecido de habitualmente ser. As profundas convicções inconscientes de que eu necessitava desesperadamente me punir a todo custo, aos poucos estão mais brandas. Estou na UTI, não se esqueça. Mas me recordo dos bons tempos vividos, não como um passado que não voltará, mas como algo vivo e forte, que o tempo não será capaz de apagar.
Guardo por ti um imenso carinho,

Yo

sábado, 3 de agosto de 2013

Let go

Deixar partir.É tão fácil falar,é tão bonito pensar no desapego.Agora desapegar de pessoas,ideias,planos,sonhos..é bem mais fácil na teoria.
Por que é tão difícil?Por que parece errado deixar velhos objetivos?Sinto que é como se estivesse traindo alguma coisa,como se estivesse fazendo algo muito errado.E não sei como construir coisas novas,parece que não posso,pois já havia planejado algo anterior,que nem cumpri.
Confusão.Angustia.
Aliás,como viver com um sentimento tão forte?Ver tantos problemas ignorados,tratados como coisinhas banais.Mas são problemas,vamos resolvê-lo?NÃO.
PORQUE NÃO.FIQUE QUIETA.AS COISAS SÃO ASSIM.ELAS SEMPRE FORAM ASSIM.
Agressão.
Não quero aceitar as coisas,não quero ficar quieta.
Não sei o que fazer.
Sei um pouco,na verdade.Tenho vontade de fazer,mas o bom senso (ou seria medo/vergonha?) me impede.
Alguém mais já sentiu vontade de rasgar o peito?Pra tudo o que está sufocando explodir.Vazar.
Vazar.
Vontade de ser bem radial.Cuspir palavras.
Vontade de ligar e berrar.
BERRAR.FAZER UM ESCÂNDALO.TODOS TÊM QUE SABER.Eles vão julgar.Vão culpar.Tenho medo.
Como vão reagir?
Como explicar?
O que ele vai fazer?

Tenho medo.
Mas tenho mais medo de deixar passar.
Não posso deixar passar.
Busco apoio,preciso de força.E é isso que espero.Um telefonema.
Ansiedade.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Dia dos Namorados

Saí do trabalho hoje e precisei passar no mercado. Quando estava quase entrando, meu cadarço desamarrou. Abaixei para amarrar e comecei a prestar atenção na conversa de um casal que estava do meu lado.

Ele, transtornado, tentava lidar com o término aparentemente imposto por ela. Eu conhecia aquela conversa.
Desamarrei meus cadarços e comecei a amarrar de novo, só pra poder ouvir mais. Era igual, o mesmo roteiro, os mesmos pedidos, as promessas.

Mudei o pé só para ouvir a pior parte, ele disse: "tá, então me olha nos olhos e diz que não me ama mais.". Se eu tivesse como voltar no tempo, eu puxaria o motoqueiro pelo braço e levaria ele comigo até novembro do ano passado, só pra ele me ver fazendo o mesmo pedido e saber qual era o final, minha vontade era entrar pulando naquela cena, me fazer de nova namorada do motoqueiro e ajudar ele a sair daquela conversa de dignidade, sei lá, tudo, menos deixar aquilo acontecer.
Ela falou. Virou as costas. Saiu andando.
Eu me levantei, mas olhei pro motoqueiro. Ele olhava pras costas dela, fungou algumas vezes, colocou o capacete e foi embora também.

Ainda desiludida e inundada por essas lembranças de como acaba o amor entrei no supermercado.
Bem na entrada, sou recepcionada por um expositório cheio de chocolates importados e caixas de bombons, dois seguranças conversavam sobre o dia dos namorados e chocolates. Peguei um chocolate pra mim, olhei para os seguranças e disse: "o que os publicitários não sabem, é que as vendas de chocolate aumentam tanto nessa data, graças às pessoas que não tem um namorado.". Pra completar a pose de mal amada, ainda tinha entrado lá só pra comprar ração pro John (nada diz mais "você é solteira" do que sair de um mercado com 7 latas de whiskas...).

Ao passar no caixa, a moça me avisa que meu chocolate já está pago, pergunto por quem, ela aponta o segurança com a cabeça.
Pago a ração do gato e vou agradecer ao segurança pela gentileza, ele me deseja boa noite e fala: "Você é uma moça bonita demais pra ter qualquer namorado".

Porque mesmo quando você acha que não tem mais jeito pro amor, ele dá um tapa na sua nuca e fala:
"Eu estou em todo lugar."

Feliz dia dos namorados adiantado tartaruguinhas :)

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Texto maluco de declaração de saudade

Na vibe de ensaios pra uma escrita, de textos malucos para esvaziar o silêncio desse blog, venho aqui dizer que estamos em sintonia de alma e olhar.

Também quero dizer que quando volto pra Marília, tudo volta junto. =)

Beijins

domingo, 12 de maio de 2013

Texto maluco de quem ainda não dormiu

Eu queria poder e abraçar o mundo com os dois braços e acalentar tudo isso que incomoda.
Eu queria conseguir falar sempre as coisas certas pra fazer com que as pessoas que eu me importo não estivessem tristes.
Eu queria ser capaz de colocar no meu bolso todo mundo que eu não quero que se machuque e carregar por aí.
Eu queria que da minha boca saísse aquilo que eu estou sentindo e não aquelas coisas que eu me programo pra dizer.
Eu queria fazer um cafuné agora até você dormir e te falar que tanto faz como vai ser amanhã, me abraça e deixa ser hoje.
Eu queria ter um teletransporte, um carro, um avião, uma aeronave, um trem, um barco, um iate, um patins, um patinete, uma bicicleta... Qualquer coisa que pudesse me levar pra onde eu preciso estar, qualquer coisa que me permitisse fazer mais do que isso.
Eu queria que o mundo não fosse tão grande, eu queria poder percorrer ele a pé.
Eu queria conseguir entender essa angústia, essa coisa que me puxa, me chama, me deixa ver o tempo passar torcendo pras coisas ficarem melhores.
Eu queria ser mais do que eu sou, ou entender o que eu sou, eu queria...
Eu queria ir até o fim pra ver onde chegar, eu queria ter a certeza que eu não tenho, eu queria tanta coisa.
Mas agora, nesse instante, enquanto eu digito um monte de coisas que não sei se fazem sentido e olho pra fora e vejo o sol nascer, eu só quero estar ali vendo o sol nascer do mesmo lugar que você. 

quinta-feira, 28 de março de 2013

Como sempre,um texto maluco.

Eu deveria estar dormindo.
Eu deveria estar com os dentes escovados,de banho tomado e dormindo.
Por que não estou?
Alguma coisa não me deixa.Essa coisa não tem me deixado viver nos últimos tempos,não muito,talvez um mês.
E estou consciente disso,sabia que aconteceria,escolhi passar por isso.Em todos os momentos anteriores de estranhamento,repeti pra mim mesma que era assim mesmo,que tinha que ser.Era necessário.
Pra quê?Crescer?Sair da zona de conforto?
Acho que sim.Não me arrependo,foi um mês de desafio aos meus medos.Olhei pra todos eles e disse: POSSO.Fiz,realizei.
Mas agora,já começo a me cansar.Não quero voltar pro conforto antigo,mas preciso de uma parada.Ou algo assim.
É uma questão física.Como mal,durmo mal,minha pele é o maior indicativo do estresse.Me sinto dispersa,meio que fazendo tudo correndo,percebendo as coisas na última hora.
Tem mais uma coisa.Algo que não tinha previsto.Ou será que tinha?
Ele.Ele que apareceu na minha vida de um jeito discreto e de repente se jogou na minha frente  e nunca mais esqueci dele.
Passou a estar em meus sonhos e eles se realizaram.Há um mês temos alguma coisa.Preciso dizer a ele,dizer que gosto dele.Sinceramente gosto.Mas não tenho energia pra construir algo mais.
Então penso que ele talvez não queira também e portanto não preciso tocar nesse assunto que nem sei como começar.
Você tem que falar.
Mas agora,você tem que dormir.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

domingo, 23 de dezembro de 2012